sábado, 9 de maio de 2009

bad boy

..............© 1956 William Klein, Hat + 5 roses, Vogue, Paris

William Klein é fotógrafo, diretor de cinema e pintor norte-americano de origem húngara que desenvolveu quase toda a sua carreira em Paris, onde vive. A sua alcunha é Bad Boy. A carreira artística de Klein começou em Paris em 1948 onde recebeu formação em pintura. Descobriu sua paixão pela fotografia no princípio dos anos 50, tendo inicialmente experimentado a fotografia como meio de expressão abstrata, para logo depois ficar fascinado com as capacidades fotográficas de reproduzir o 'mundo real'. Em 1954 é contratado pela revista Vogue como fotógrafo de moda. A fotografia de moda de Klein é marcada pela abordagem irônica e subjetiva.
Na metade dos anos 50, por encomenda de Federico Fellini, realiza um trabalho fotográfico sobre a cidade de Roma (Rome,1958), a que se seguem, sobre a mesma temática, os trabalhos sobre Moscou e Tóquio (Moscou et Tokyo, 1961).
As imagens de Klein caracterizam-se pelo apurado uso das distâncias focais das objetivas fotográficas em relação ao tema, pela iluminação pouco convencional e por motivos desfocados pelo movimento que possuem. No culminar da sua carreira dedica-se à produção e realização cinematográfica.
Klein trouxe, para a fotografia de moda, um olhar de estrangeiro: avesso ao mundo fashion, fez deste estranhamento um terreno no qual construiu uma obra marcada pelo pathos da distância.
Alexander Liberman, diretor da Vogue, convidou-o para trabalhar na revista após ver uma exposição sua que nada tinha a ver com moda; eram fotografias abstratas, parte das experiências que Klein vinha fazendo nas artes plásticas. A resposta do fotógrafo ao convite afirma sua declaração de que, na época, ele sequer sabia sobre o que era a Vogue - quanto mais trabalhar nela! O negócio foi fechado quando Liberman aceitou o projeto de Klein de fazer um portfólio, espécie de diário fotográfico, de Nova Iorque.
Diga-se de passagem que tal projeto jamais foi concretizado, embora certamente trouxesse o germe do que futuramente seria a primeira grande obra do fotógrafo: o livro Life is Good for You in New York - William Klein Trance Witness Revels - título irônico para uma obra tão violenta e contundente que foi recusada pela Vogue e por todos os editores americanos, só sendo publicada em Paris, em 1956, nas palavras do próprio William Klein, tratava-se de fazer conscientemente o oposto daquilo que Cartier-Bresson propunha, ou seja: fotografar cenas das ruas de Nova Iorque da forma mais visível e com o maior volume possível de interferências - "minha estética era a do Daily News… eu via o livro que queria como um tablóide tornando-se enfurecido, indecente, manchado, com um layout brutal… isso era o que Nova Iorque merecia e receberia".
Só essa breve história já nos dá os ingredientes principais para que possamos entender a obra de William Klein: uma porção de inconformismo, muitas colheres de uma franqueza ácida, uma boa dose de sarcasmo e ironia a gosto. Consciente de seu valor, Klein nunca foi muito dado a concessões; e foi graças a isso que, em seu trabalho relacionado ao mundo fashion, desmontou estereótipos e contestou os padrões estabelecidos a tal ponto que, parafraseando uma de suas declarações sobre a já citada série de Nova Iorque, levou a fotografia de moda a um ponto zero.

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