
Há 50 anos, Miles Davis e uma turma fantástica lançavam Kind of Blue. Temos John Coltrane e Julian 'Cannonball' Adderley nos saxofones, Wynton Kelly e Bill Evans encarregados do piano, Paul Chambers no contrabaixo, Jimmy Cobb na bateria e Miles Davis no trompete. Eles tocam composições de Davis. A reunião desses 'gigantes' aconteceu durante duas sessões no 30th Street Studio, em Nova York, e o resultado chama-se Kind of Blue, disco que neste ano completa 50 anos e ganha relançamento luxuoso.
Praticamente sem ensaios, eles gravaram cinco temas, embalados em melodias que colam no ouvido como algodão-doce no céu da boca. Miles Davis, morto em 1991, era o mentor do sexteto. Quem se impressiona com conceitos deve saber que a obra funda o jazz modal: a harmonia musical feita sem a progressão dos acompanhamentos, o que permite ao músico mais liberdade para a melodia. O estilo está para o frenético bepop de 'Bird' Parker e Dizzy Gillespie como a geração de 45 para a literatura modernista brasileira: rigor e lirismo em contraposição à liberdade extrema e à irreverência. Conceitos à parte, ele traz música boa e bem executada. 'So What', a mais famosa, por conta da sequência inicial, abre o trabalho. 'Freddie Freeloader' e 'All Blues' seguem a toada, solos perfeitos sobre escassas harmonias e frases líricas. Mas são 'Blue in Green' e 'Flamenco Sketches' que conferem ao disco aquilo que toda produção precisa para ser chamada de arte: a boa dose de melancolia e meditação; no caso, o 'blue' do título e dos olhos de Miles.
© 1959 Miles Davis, Blue in green
2 comentários:
Quem é o fotógrafo(a) ?
Sobre ele(a)nada ?
Não sei essa informação para dar o crédito à foto genial. Quem souber, por gentileza, poste aqui!
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