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Difícil fotografar o silêncio. Entretanto tentei.
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Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre a casa.
Fotografei o sobre. Difícil fotografar o sobre.
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Manuel de Barros
terça-feira, 11 de novembro de 2008
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